Autonomia e independência profissional.

Por Luiz Guilherme Brom

A carreira profissional está sempre sujeita a turbulências e instabilidades. As ameaças à tranquilidade do exercício profissional são muitas e frequentes, que vão desde decisões equivocadas do próprio profissional até problemas com o segmento da atividade econômica em que ele atua. Passando por ambientes de trabalho hostil, formação profissional inadequada, falência da empresa, chefe incompetente e contingências de todo tipo. Tudo isso ameaça o trabalho e a vida das pessoas que trabalham. São muitos os riscos de quem trabalha.
Mas como se prevenir contra os perigos que gravitam em torno da carreira profissional? Não há uma resposta pronta para a questão, mas o que existem são medidas e precauções que ajudam bastante. A primeiríssima delas reside exatamente na consciência de que essas ameaças existem, são reais e que ninguém está livre delas. Absolutamente ninguém. Isso parece pouco, mas não é. São muitos os casos de poderosos executivos que ingenuamente se acham eternos em seus empregos até o dia em que se veem no olho da rua. Aí vem a decepção a crise pessoal, a depressão profunda que dificulta ainda mais a busca por um emprego ou nova posição no mercado de trabalho. Por outro lado, quem tem consciência de que isso é perfeitamente possível de acontecer a qualquer momento, em geral, enfrenta melhor esse momento, não é pego de surpresa, pois já sabia com antecedência que esse fato é corriqueiro no mercado de trabalho e que ninguém está livre dele.
O desafio para se enfrentar as turbulências e incertezas do mercado de trabalho está na capacidade de desenvolver alternativas profissionais, planos de contingência ou opções de trabalho. Quem se prepara assim adquire um grau razoável de independência ou de autonomia profissional. Ou seja, não é obrigado a se submeter  todo tipo de humilhação ou de pressão no trabalho. Resguarda melhor dignidade e se expõe menos ao risco de ficar completamente sem rendimentos. A autonomia profissional se constrói, portanto, elaborando projetos profissionais para si próprio, de curto e de longo prazos.
Autonomia que se faz também estudando e conhecendo, em um esforço ininterrupto de compreensão da realidade, bem como por meio de relacionamentos sinceros de amizade no mercado de trabalho. Relacionamentos desprovidos de interesses cínicos, pois são somente os verdadeiros amigos que nos ajudam. É pois, planejando a própria carreira, no sentido do que se deseja para si próprio, que a independência profissional é atingida. Quem assim faz um leque de alternativas profissionais. Quem é arrogante e prepotente, quem não estuda, quem vai pela cabeça dos outros, quem ingenuamente acredita nos falsos discursos se torna um forte candidato a vítima das turbulências no mercado de trabalho. Ao contrário daquele que é senhor do próprio destino.

Luiz Guilherme Brom é doutor em Ciências Sociais e diretor-superintendente da FECAP.

http://blogeducacaoeprofissao.blogspot.com/

Este artigo foi publicado oficialmente na revista Gestão & Negócios, concordo plenamente com o artigo e quis compartilhar com vocês. Claro que com a devida autorização do autor, concedida por e-mail.
Espero que gostem.

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